Memória da Escola

Livro de lembranças de um aluno (1864-1871)

 

Esta Memória da Escola reproduz o folheto de Fevereiro de 2003, 

editado no âmbito das comemorações dos 150 anos do Liceu de Beja

(1852-2002)

 

 

Pesquisa e texto de Francisco Rosa Dias

LIVRO DE LEMBRANÇAS (1864–1871) DE UM ALUNO DO LICEU DE BEJA

João Albino Marques foi aluno do Liceu de Beja nos anos de 1864 a 1871. Deixou um diário ou Livro de Lembranças, como lhe chamou, com anotações da sua vida académica. O Liceu funcionava, então, no Terreiro de S. Tiago, o Largo da Sé.

 

 

 

João Albino Marques (1851-1871)

 

No âmbito das Comemorações dos 150 anos do Liceu de Beja, tivemos conhecimento, por amabilidade do Dr. Francisco Pereira Guerreiro, Professor aposentado desta Escola, da existência de um Caderno de Lembranças elaborado por João Albino Marques, seu tio-bisavô.

João Albino Marques, natural de Beja, nascido em 2 de Julho de 1851, matriculou-se no 1º ano, a 19 de Setembro de 1864, funcionava o Liceu no prédio contíguo à Sé e que se prolonga pela rua Aresta Branco.

Espírito atento, o jovem estudante regista as datas de matrícula, dos exames, se foram escritos ou orais e as respectivas classificações, regista o nome dos Professores, quer da Instrução Primária quer do Liceu, não ignora o nome do porteiro e regista até o total das despesas (!) efectuadas em cada ano lectivo..

É um relato curioso onde se nota perfeitamente a rotina de um estabelecimento de ensino: o abrir matrícula no início do ano e o serrar matrícula no final - como então se dizia - as avaliações ao longo do ano e os exames finais. Também aparecem notas curiosas, como a falta de professores no início do ano escolar ou anomalias como a falta de avaliação por doença do Professor.

Também, com actualidade, o recurso a lições particulares cujo início e fim são criteriosamente assinalados.

O ano lectivo começava nos princípios de Outubro, prática que só se alterou há poucos anos, trimestralmente havia avaliações, o ano encerrava em Junho, seguindo-se os exames finais, em Julho.

1ª Página do Caderno de Lembranças de João Albino Marques

No final do seu Livro de Lembranças, o jovem estudante anota também a relação dos seus livros. Lá estão, naturalmente em maioria, a quase totalidade, os compêndios de estudo, mas também as Fábulas de La Fontaine, a Monarchia Portuguesa, o Archivo Pitoresco, revista hoje difícil de encontrar. E, também , O Novo Testamento, e Virgílio e Tito Lívio – nomes praticamente desconhecidos dos estudantes actuais.

Frequentou o Seminário Eclesiástico e fez ainda o serviço militar.

Transcrevemos, nas páginas a seguir, algumas partes do Caderno/ Livro de Lembranças.

Compunha-se a obra "de quatro cadernos ou tomos" – segundo o próprio autor – assim discriminados:

 

1º Tomo ou Caderno do Estudo

2º Tomo ou Caderno da Família Real

3º Tomo ou Caderno de Diversos

4º Tomo ou Caderno da Minha Família

 

Apenas transcrevemos o Tomo I – O do Estudo. Tentámos manter a disposição dos registos, e respeitámos a grafia da época, mesmo quando a mesma palavra é escrita de forma diferente na mesma folha. Felizmente, conseguimos ler quase todo o documento. As dúvidas foram assinaladas com ponto de interrogação ou com a palavra ilegível.

Como os registos não foram feitos diariamente, por vezes acontecimentos mais antigos aparecem mencionados cronologicamente depois dos mais recentes.

Transcrições do tomo I:

Primeira (11 de Julho de 1864 - 10 de Junho de 1865)

 

Segunda (20 de Junho de 1865 - 30 de Maio de 1866)

 

Terceira (15 de Abril de 1866 - 20 de Maio de 1867)

 

Quarta (22 de Maio de 1867 - 11 de Fevereiro de 1868)

 

Quinta (30 de Maio de 1868 - 3 de Outubro de 1870)

 

Sexta (16 de Maio de 1870 - 1 de Janeiro de 1871)

 

 

Nas anotações do aluno encontra-se, ainda, uma " Relação de todos os meus Livros". Termina o Caderno de Lembranças em Janeiro de 1871, com a indicação da mudança de Lyceu.

Com efeito o Liceu irá instalar-se na rua do Esquível, no chamado Palácio dos Maldonados.

O aluno João Albino Marques morrerá nesse mesmo ano, em Agosto, com 20 anos.

 

 

 

 

 

 

João Marques frequentou o Liceu que funcionava, então, no Largo de S. Thyago (actual Largo da Sé)

 

 

 

 

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